segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Sinto-me como areia no deserto...

Acordei... acordei de todos os sonhos que esqueci quando os lembrei e das ideias confusas que não fui eu que as criei.. Acordei, tonta, não cai, mas as notas que me levantaram hoje já esqueci... Acordei diferente, acordei fora de mim, acordei num dia que preferia nem sequer acordar, acordei assim..
Tantas razões, tantas ideias desgastantes, tantos sublinhados que já não são como antes, tantas palavras que queria ditas, tantos gestos que tu já não imitas, tantos poemas de versos trocados, sonhos enfeitados por controvérsias, confusas, só queria estar perto no caminho que tu cruzas, só queria estar, esquecer indefinidamente de me lembrar, olhar sem ver e no cruzamento mostrar-te sensação o que te quero dizer.. nada.. dizendo tudo, tudo, sem falar, sem escrever...
Hoje, exclusivamente hoje, sinto-me areia no deserto, tão só, com tanta gente perto, tão solto, tão preso sem saber ao quê ao certo. Sinto-me esquecida nos meus próprios versos, figurante sem guião na minha própria biografia, sol tapado pela colina ao nascer do dia, acorde navegante sem partitura, que mesmo assim sente a ternura, mesmo não a vendo, a noite está escura... adormeço.. até no meu próprio sonho me sinto uma espectadora, uma disléxica anónima sonhando em ser atriz, uma lágrima seca que afoga qualquer dor, história inacabada no final do ultimo capitulo, poesia que hoje me esqueci, versos sem conteúdo, só com titulo, o meu eu a fugir de mim...

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